Agência Brasil (Brasília) – O presidente licenciado do PTB Roberto Jefferson entrou nesta segunda-feira (14) com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir perdão judicial na Ação Penal 470, o processo do mensalão. No julgamento dos primeiros recursos, em setembro, a pena de Jefferson foi mantida em sete anos e 14 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de multa de R$ 720 mil. O réu é o primeiro a apresentar os segundos embargos de declaração, próxima fase de recursos.
Jefferson foi quem denunciou o esquema de pagamento a parlamentares. Durante a investigação do Ministério Público, o então presidente em exercício do PTB confirmou ter recebido R$ 4 milhões e distribuído entre os deputados do partido.
Na petição, a defesa alega que a pena do presidente licenciado deve ser reduzida, porque ele colaborou com as investigações. “Revela-se patente o quão essencial para o descobrimento dos fatos investigados foi a colaboração, que repita-se foi caracterizada pelo próprio acórdão como fundamental. Sem suas reveladoras declarações, fato é que nunca seria instaurada a presente ação penal e os fatos ora apurados nunca teriam vindo a público”, argumentou a defesa.
Se o perdão não for concedido, a defesa pede que a pena seja reduzida em dois terços ou substituída por prisão domiciliar, devido ao estado de saúde de Jefferson. Em agosto, o réu passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor no pâncreas. “Requere-se ao menos, tendo em visto ao gravíssimo estado de saúde em ele se encontra que, por uma questão legal e, acima de tudo, humanitária, seja substituída por sanções restritivas de direito, sob pena de, no seu caso, a eventual execução da pena corporal num estabelecimento prisional transformar-se em verdadeira pena de morte”, alegou a defesa.
O prazo para que os 13 réus apresentem os segundos embargos de declaração, recursos para corrigir omissões ou contradições no acórdão (texto final do julgamento) termina amanhã (15).
Já 12 réus que têm direito aos embargos infringentes, outro tipo de recurso que prevê a revisão das penas, podem apresentá-los até 11 de novembro. A segunda fase de análise dos recursos ainda não tem data para começar.
Rio - Louco para desmascarar César (Antônio Fagundes), Félix (Matheus Solano) descobrirá que Jonathan (Thalles Cabral) é filho de seu pai com Edith (Bárbara Paz). Na sequência de ‘Amor à Vida’, a partir do dia 31, o vilão manda Atílio (Luis Mello) ir fundo nas investigações sobre as finanças do pai.
Félix vai descobrir a verdade
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Aproveitando que Eron (Marcello Antony) está sem cabeça para trabalhar, por conta do desastre de Amarilys (Danielle Winits), o vilão pede que ele passe tudo para Atílio.
Depois de verificar a movimentação dos negócios de César, Atílio pergunta a Félix se ele sabe algo sobre a compra de um prédio comercial de três andares, que o pai fez , logo que houve a tentativa de conciliação entre ele e Pilar (Susana Vieira) e que o imóvel está no nome de Edith. Pasmo, Félix diz ao contador que lhe passe as informações, mas não comente com ninguém. Atílio indaga se não seria mais fácil perguntar a Edith. Félix: “Minha intuição diz que tem algo podre nisso tudo. Eu mesmo vou descobrir porque papai botou imóveis que valem uma fortuna no nome da minha mulher!”. A pedido de Félix, Glauce (Leona Cavalli) investiga o nascimento de Jonathan e descobre que ele não nasceu prematuro, como Edith forçou o marido a acreditar e que a parteira não era do San Magno. Diante das evidências, o malvado convence Paloma (Paolla Oliveira) a levar o pai e Aline (Vanessa Giácomo) para jantar na mansão dos Khoury, com a desculpa de acabarem com as rixas entre as famílias. Quando todos estão reunidos, Glauce aparece. César avisa: “Quero deixar claro, Félix, que não me enganou em nenhum momento, algum plano você tem. Por que nos trouxe até aqui?”.
Rio - Romário tem 47 anos, "quase três“ de política, como ele mesmo diz, e está se profissionalizando na vida partidária. Presidente do PSB no Rio, partido que ele chegou a se desfiliar, agora admite a possibilidade de ser candidato a governador ano que vem, embora o sonho mesmo seja disputar a Prefeitura da Cidade Maravilhosa em 2016. Pelo sim, pelo não, já vai distribuindo críticas ao prefeito Eduardo Paes e ao governador Sérgio Cabral, ambos do PMDB, para ir treinando. A marra é a de sempre, mas o Baixinho anda desenvolvendo a estranha mania de admitir que seu jeito “explosivo” o atrapalha. Romário agora tem fé que o Brasil pode ganhar a Copa e diz que Edmundo é um “cara do bem”.
O DIA : O sr. acaba de voltar para o PSB, depois de se desfiliar em agosto. Acha que tomou a decisão certa?
ROMÁRIO: Estou bastante, muito feliz no PSB. Não vejo possibilidade de sair do PSB.
Mas por que o sr. saiu?
Porque aqui no estado eu estava engessado: eu só poderia ser sempre candidato a deputado federal. Mesmo com as pesquisas feitas ano passado — na eleição para a prefeitura —, quando eu apareci com 8% (das intenções de votos), em terceiro lugar, nem com isso eu consegui andar. Por exemplo, como foi combinado (agora), ano que vem eu poderia, dependendo das pesquisas, ser candidato a senador. Mas hoje, 80% (das chances) é de ser candidato a deputado federal.
Romário: "Tem político que merece tomar porrada"
Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia
Por que isso não acontecia antes?
A direção anterior (o ex-presidente regional do PSB no Rio, Alexandre Cardoso, afastado pela direção nacional do partido) já tinha combinado que o PSB apoiava o governo do estado, então a gente não podia andar. E em relação à nacional, houve a falta de contato com o (presidente nacional do PSB) Eduardo Campos. Em alguns momentos, eu queria conversar com ele, mas, pelos motivos dele lá, a gente acabou não se encontrando. Em algum momento eu falei: “Quer saber? Vou ver se consigo através de outra sigla um espaço maior do que eu estou tendo aqui.” Com a decisão de substituir o diretório regional, eu tenho agora liberdade, posso seguir meus planos políticos. Tenho vontade de, em 2016, também dependendo das pesquisas, me candidatar a prefeito. O sr. acha que tem chances reais de ser um candidato competitivo à Prefeitura do Rio? Uma coisa que aprendi com meu pai foi: eu só disputo alguma coisa onde eu tiver no mínimo 50% de chances, em igual condição. Se for 49%, já não entraria. Por que eu tenho chance? Eu tenho apenas quase três anos de política, mas conheço um pouco dos problemas que a cidade tem. A cada dia me interesso mais por política, a experiência vem na prática. E eu sei que o Legislativo é 100% diferente do Executivo. Eu imagino o quanto difícil deve ser tocar uma administração de uma cidade como o Rio. Mas, a partir do momento em que você consegue formar um grupo de secretários que te ajudem e que você possa delegar determinados poderes, e essas pessoas, com competência cumprirem o que têm que fazer, eu acredito que você pode fazer uma boa administração. As pessoas que trabalham comigo me ajudam muito. Até 2016, a tendência é que esse grupo cresça, melhore, e até lá eu possa reunir pessoas capazes de me ajudar. O assessor de imprensa do PSB nacional, Evaldo Costa, admitiu que a possibilidade de o sr. ser candidato a governador ano que vem “está na roda”. É possível?
Isso é uma possibilidade. Eu não posso descartar isso. Mas vou repetir: se eu me vir na condição de ter 50% de chances de disputar, vai acontecer. Se não, não me interessa. Levando em conta o cenário hoje, com seis pré-candidatos a governador, o que o sr. consideraria chances reais de disputar? Se eu ficar em sexto, sétimo lugar, não tem jeito. Se eu estiver nos três primeiros lugares, posso dizer que estou mais ou menos com 50% de chances. Que qualidade o sr. trouxe do campo para a política? Essa coragem de poder dizer o que tenho vontade de dizer.
E defeito?
Eu sou um cara um pouco explosivo em determinadas situações, e isso na política não é muito positivo. Estou tentando deixar essa parte um pouco de lado, mas, às vezes, é meio complicado. Eu estou aprendendo com o tempo, mas esse ranço ainda não saiu de mim nesses três anos. Daqui a pouco sai...
Lindo, mas na prática... Na prática, não é mole, não é bem assim, não, mas estou tentando... (risos)
Romário diz que aprendeu com o pai a só disputar alguma coisa se tiver 50% de chances
Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia
Na prática, o que tira o sr. do sério?
Por exemplo, o que está acontecendo no Rio com os professores. Não consigo entender como a Prefeitura do Rio não chega a um acordo, se não com o sindicato, que seja diretamente com os professores. Os professores têm que ser bem remunerados. Se ele (prefeito Eduardo Paes, do PMDB) está lá, foram os professores que trabalharam muito para ele ser o que ele é. Professor tem que ser visto de uma forma diferenciada. Não pode um professor ganhar R$ 1 mil, R$ 2 mil. Essa é uma coisa que me deixa chateado. Pô, resolve isso, cara! Tira de algum lugar, bota ali, mas tem que resolver. Não pode ficar aí, os caras fazendo passeata, e as crianças vão perder o ano letivo.
Como o sr. avalia o governo Cabral?
Você pode fazer duas avaliações. Primeiro, Cabral Pessoa Jurídica foi muito bom para o Rio até determinado momento. Pessoa Física: péssimo, um dos piores exemplos que nós temos na política.
Como assim?
(Exemplos) de conduta, de atitudes ruins, negativas. Pô, o cara todo dia andava de helicóptero, isso não pode passar impune. Isso é até uma falta de respeito com a população, principalmente com a população que anda de ônibus, de trem, de van, de Kombi.
O que o sr. acha dos black blocs? O que eu acho, longe de fazer apologia à violência, é que tem muito político que merece porrada mesmo. Não estou dizendo que eles (os black blocs) têm que dar. O político merecer é uma coisa, os caras terem que dar é outra. Mas eu também vejo que uma manifestação pacífica tem saldo muito mais positivo do que acontece como o que a gente tem visto aí. Infelizmente eu não sei te afirmar, mas pelo que parece é um grupo direcionado para causar o caos onde não tem. Um dos gritos de guerra ouvidos nos protestos é “não vai ter Copa”...
As manifestações começaram antes da Copa das Confederações. Eu ouvi isso com relação à Copa das Confederações, e acabou tendo. No que se refere ao futebol, foi um êxito. O Brasil foi campeão. O problema é que os gastos que aconteceram até agora foram feitos para que os estádios, principalmente, tivessem no Padrão Fifa Copa das Confederações. Agora, vem padrão Fifa Copa do Mundo. Não se pode esquecer isso. Algumas coisas vão ser modificadas, novas obras serão feitas, e nova reformas também. Então, um orçamento que era de R$ 28 bi ou R$ 29 bi já está em quase R$ 39 bi ou R$ 40 bi. Isso não pode ser uma coisa que vá dar bons frutos. O legado dessa Copa para a população seria o que estava no caderno de encargos da Fifa, que eram mobilidade urbana e acessibilidade. Essas duas coisas foram as que mais saíram do planejamento das obras. Ou seja: onde eu enxergo que seria a maior contribuição para um legado positivo não vai ter, infelizmente. Ninguém pode em sã consciência concordar que num Mané Garrincha se gastará R$ 2 bi, que no Maracanã também vai passar disso — desses R$ 2 bi, talvez 50% estejam no bolso dos outros. Isso é uma coisa absurda. Esses caras têm que ser presos.
Vamos ganhar a Copa?
Espero que sim. Se a pergunta fosse feita antes da Copa das Confederações, eu afirmaria que não, porque a seleção estava jogando muito mal. Mas, durante a Copa das Confederações, o Brasil se acertou, Felipão conseguiu colocar suas ideias em prática dentro do campo, os jogadores entenderam o que ele queria. Hoje eu vejo Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha como favoritos para campeão do mundo.
Quem joga mais, o sr. ou Neymar? Pô, muito mais eu, né? Neymar joga bem,vai ser um dos grandes, mas está muito novo para fazer comparação comigo. Se ele continuar nessa batida, pode até ter a possibilidade de quando acabar a carreira falar que foi melhor que eu. Hoje ainda não.
Sou um cara um pouco explosivo em determinadas situações, e isso na política não é muito positivoRomário
O que o sr. achou da forma como Mano Menezes saiu do Flamengo?
O estrago que ele fez na Seleção brasileira é o que ele fez no Flamengo e que ele provavelmente fará em alguns outros. Você tem que ser homem para assumir a sua posição, por mais que seja contrária à de todo mundo. Não estou dizendo que ele não foi. Mas eu agiria da forma mais correta possível. Ia chegar lá, entregar o cargo, falar com a diretoria: “Eu quero sair porque eu quero. Não tem motivo, mas eu quero sair.” Não deixa de ser um motivo.
Se o sr. tivesse que escolher um presidente para o Vasco entre Roberto Dinamite, Eurico Miranda ou Edmundo, quem seria? O Dinamite é o pior presidente da história do futebol mundial. O cara conseguiu ser pior (presidente) do que (é) deputado estadual, bateu o recorde dele mesmo. Deu péssimo exemplo para nós, que somos ex-jogadores, para a possibilidade de a gente futuramente pensar em ser presidente de um clube. Todo mundo vai falar: “Não viu a cagada que o Roberto fez no Vasco?” Dos três, o Roberto é pior de todos. O Eurico é uma pessoa que eu sempre respeitei, vou respeitar. Se, por acaso, ele for presidente do Vasco, vou ter grande prazer em ajudar. Não só pelo Eurico, mas pela história que eu tenho no Vasco. O Edmundo é uma incógnita. Eu só espero que ele não tenha o Roberto como exemplo de nada. O que o sr. diria hoje sobre o Edmundo? A gente teve alguns problemas, parou até um tempo de se falar. Como todos nós, ele tem seus defeitos. Mas eu vejo o Edmundo como um cara do bem, um cara que passou por alguns momentos difíceis na vida, mas superou. Na profissão atual, se saiu muito bem, é um cara que tem coragem, faz boas colocações em relação ao que acontece no jogo. Acredito que, se ele for levar isso para a política no Vasco ou na política partidária, pode fazer muita coisa boa por nosso país. Se o sr. for eleito prefeito ou governador, quem vai ser a primeira dama? Boa pergunta. Até lá eu tenho bastante tempo para escolher. Estou separado há um ano e meio. Primeiro tenho que arrumar uma namorada.
Uma pesquisa da Universidade de Montreal descobriu um estado ainda mais profundo de coma e tem levado médicos a reconsiderar o que, por muito tempo, foi admitido como morte cerebral.
Os pesquisadores verificaram que mesmo quando o registro de eletroencefalograma deixa de mostrar atividade cerebral, é possível estimular o retorno da atividade cerebral por meio da indução do coma, de acordo com artigo publicado na última quarta-feira na revista científica PLoS One.
Parte da experiência consistiu em anestesiar mais de 20 gatos e medir as atividades cerebrais dos animais em diferentes estados de coma. A abordagem foi inspirada na descoberta de um doente em coma que voltou à vida após receber medicação para epilepsia.
É "a forma mais profunda de coma obtido até agora", afirma o estudo. "Os resultados atuais devem servir os médicos na avaliação de profundidade do coma do paciente", escrevem os pesquisadores, para quem a descoberta pode afetar o que os médicos consideram morte cerebral.
Não está claro por que a atividade do cérebro retorna neste coma profundo, mas os pesquisadores sugerem que ao relaxar as principais funções do cérebro, outras funções podem tornar-se livres de restrições anteriores e reiniciar atividades.
Um homem sai abordando mulheres pelas ruas --e praias-- da Flórida com as seguintes perguntas: "Você me acha atraente?", "você tem namorado?" e "qual seria sua desculpa para não me beijar?". Siga o Painel do Leitor no TwitterMenino se encanta com chegada de filhote de cachorroCom a voz de Gollum, rapaz canta música principal de 'Os Miseráveis'Homem realiza movimentos de dança como se estivesse flutuando O questionário é recebido com estranhamento pelas garotas. Uma diz ter namorado, mas logo explica que não é exatamente um relacionamento sério. Outra, sozinha em uma mesa, ao ser questionada por que está desacompanhada, diz que está à espera de uma amiga, mas ouve com atenção o que o rapaz tem a dizer. No final do questionário, todas riem e beijam --ou são beijadas-- pelo rapaz. Produzido pelo "ator, comediante e piadista", como se autodefine o norte-americano de origem russa Vitaly Zdorovetski, o vídeo --no ar há menos de um mês-- já está perto de alcançar os 5,5 milhões de acessos.
À venda na internet, exame que detecta 12 tipos de substâncias vira polêmica no Rio
Rio - Usado na Guerra do Vietnã para tentar inibir o uso de opiáceos (derivados do ópio, como a morfina e a heroína) entre os militares americanos, o teste antidroga virou uma espécie de espião caseiro e abriu polêmica. À venda na internet por R$ 380, o kit doméstico que revela o uso de substâncias ilícitas permite que o exame seja feito à revelia dos filhos, o que divide opiniões. Basta uma mecha de cabelo ou pelos para que em duas semanas os pais tenham laudo que atesta se houve o consumo de 12 tipos de drogas nos últimos três meses.
O leque de ‘flagras’ é extenso. Vai de cocaína a maconha, passando por remédios para emagrecer, heroína, morfina e ecstasy. “Quem nos procura, geralmente, são pais que já sabem que o filho consome ou estão desconfiados. Acontece também muito com casais. Geralmente é a mulher que faz o teste no namorado ou marido. Em caso de resultado positivo, o laudo faz uma classificação de levíssimo a pesadíssimo do uso da droga detectada”, explicou Eduardo Bloch, diretor da empresa Psychemedics Brasil.
“O melhor caminho é sempre o diálogo. A atitude dos pais é legítima, mas terá prejuízos na relação dentro de casa”HELLEN CORDEIRO, Psicóloga
A empresa vende no país, em média, 60 testes por mês via internet. A análise é feita num laboratório da Califórnia, nos Estados Unidos. O exame, chamado de PDT — sigla em inglês de Personal Drug Test —, pode ser feito de forma sigilosa. O kit chega ao endereço do comprador num envelope descaracterizado. Vem junto com um formulário, onde o solicitante pode escrever apenas o primeiro nome da pessoa testada. O resultado chega por carta, mas há ainda a opção de envio por e-mail.
O teste, no entanto, levanta a discussão sobre possíveis prejuízos para a relação familiar, caso o filho descubra que foi submetido ao exame sem saber. Para Maria Valésia Vilela, psicóloga e membro da Academia de Ciências de Nova York, é preciso analisar cada caso. “Se o adolescente é rebelde e violento, justifica o pai fazer uso desse kit. Mas precisa ter cuidado porque o jovem pode ser rotulado de usuário sendo que apenas experimentou a droga. Isso cria um sentimento de injustiça”, explica.
A comerciante Márcia Teixeira, 48 anos, mãe de três filhos — 28, 25 e 19 —, é mais rigorosa na avaliação . “Não vejo problema em fazer o teste. As pessoas podem até dizer que é invasão de privacidade, mas a mãe tem o direito e, com certeza, a intenção é sempre ajudar”.
Laudo denuncia maconha consumida 3 meses antes
O rastreio do consumo de drogas é tão preciso que é capaz de mostrar se a pessoa fumou dois cigarros de maconha nos 90 dias anteriores ao teste. Também flagra se a pessoa cheirou dois papelotes de cocaína no mesmo período. No caso dos emagrecedores, basta que o consumo tenha sido de um grama. O diretor da Psychemedics Brasil, Eduardo Bloch, afirmou que, apesar de o exame ter 100% de confiabilidade e ser reconhecido pela FDA (espécie de Anvisa americana), ele não pode ser usado judicialmente, caso a coleta do material seja feita escondida da pessoa submetida ao teste.
“Quando é comprado na internet, ele não tem validade oficial. Como não tem uma terceira parte como testemunha, ele não pode ser usado perante o juiz. Por isso, quando alguém diz que vai usar como prova numa separação de casal, orientamos a procurar pessoalmente um dos nossos laboratórios.”
Com a decisão de que haverá novo julgamento em algumas penas de 12 dos condenados no mensalão, a aposta entre advogados de defesa é que o caso dure pelo menos mais um ano. O ministro Luiz Fux foi sorteado como o novo relator dos recursos, o que sugere celeridade no processo, uma vez que ele os rejeitou e, ao longo do julgamento, adotou a linha dura o presidente da corte e relator do caso, Joaquim Barbosa, contra os réus. No PT, Fux é visto como antípoda do principal réu do mensalão, o ex-ministro José Dirceu, a quem procurou antes de sua nomeação em 2011 para pedir apoio. Dirceu o acusou de ter prometido o absolver em caso de ser nomeado, o que Fux nega. A decisão de acatar os chamados embargos infringentes foi precedida de forte polêmica e dividiu a corte. O ministro mais longevo do STF, Celso de Mello, é sempre o último a votar. Coube a ele desempatar o placar, e seu longo voto de 2h05min frustrou aqueles que esperavam se não a reversão de sua posição favorável aos infringentes, ao menos a cobrança por rapidez no processo. "Se é certo que a suprema corte constitui por excelência um espaço de proteção e defesa das liberdades fundamentais (...) não pode expor-se a pressões externas como as resultantes do clamor popular e pressões das multidões sob pena de completa subversão do regime constitucional de direitos e garantias individuais", disse na introdução a seu voto. Depois, fez a defesa teórica de que o regimento interno, que é de 1980 e admite os infringentes, tem o mesmo peso da lei de 1990 que regulou recursos na corte e no STJ e que não trata desse recurso. Com isso, além de Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) poderão escapar da prisão em regime fechado. Maior caso da história do STF, o mensalão consumiu 64 sessões do tribunal e comprovou a existência de esquema de compra de apoio parlamentar durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula. O mensalão em si não será questionado nos novos julgamentos. O esquema foi revelado pela Folha em 2005. Em 2006 o Ministério Público Federal apresentou sua denúncia, que foi aceita pelo Supremo no ano seguinte. Em agosto do ano passado, o julgamento começou, pontuado de bate-bocas duros entre ministros, notadamente entre Barbosa e o revisor do caso, Ricardo Lewandowski. Agora é preciso que tudo o que foi decidido nesta etapa de análise de recursos seja publicado, o que deve ocorrer em 30 a 45 dias. Depois, os novos recursos têm de ser apresentados. Ontem, ministros decidiram que terão um mês para pedir absolvição ou redução de pena. Só depois disso Fux poderá pedir a opinião do Ministério Público, produzir seu voto e o incluir na pauta. Crítico do novo julgamento, o ministro Gilmar Mendes havia dito que o STF não poderia ser um "tribunal para ficar assando pizza". Perguntado ontem se "houve pizza", ele ironizou: "Posso recomendar uma pizzaria para vocês".